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Treinador de Futsal, Graduado em Educação Física - UFMG, Especialista em Futsal e MBA em Gestão de Pessoas

domingo, 6 de maio de 2012

A consciêcia do inconsciente – O treinador dentro de quadra!!!

 

 

Segundo Damásio (2000), muitos dos comportamentos que manifestamos, assim como os pensamentos que nossas mentes elaboram são resultados de numerosos processos dos quais não estamos Cientes.

Esse mesmo autor afirma que o conhecimento adquirido através do condicionamento permanece fora da consciência e só se expressa de maneira indireta, ou seja, quando se executa uma tarefa. Exemplo disso é quando um atleta é perguntado como realizou tal ação e não consegue verbalizar, simplesmente diz: ´´peguei a bola e fiz´´.

Mas o que isso quer dizer?

Que aquela ação do atleta foi sem pensar!!!

Mas como assim? O jogo não é pensado? Então quer dizer que o que ele fez foi uma bobagem?

De forma alguma, ele simplesmente executou sem tomar conhecimento de todo o processamento da informação até a resposta, ou seja, aquilo já está AUTOMATIZADO!!!!

Dessa forma, isso só e possível devido à progressiva ´´libertação´´ dos recursos mentais. Isto é, o fato de necessitarmos de pouco ou nenhum exame consciente consituiu uma grande vantagem no desempenho rápido e eficaz dessas ações, uma vez que aquela ação será automática, liberando atenção e tempo para perceber outras coisas.

Mas então, para que serve a consciência, ou em outras palavras aquele aprendizado ´´formal´´????

Segundo alguns autores, a consciência serve para aumentar o alcance da mente. A consciência permite que o jogador descubra se a estratégia está correta, permitindo corrigi-la.

Então qual é a grande vantagem de tornar os movimentos conscientes em hábitos subsconscientes??

Pesquisas de autores portugueses verificaram que o processamento de informação de atletas inexperientes acontecem de forma sequencial, ou seja, leva-se tempo, e o dos jogadores experientes é em forma de cascata, não necessita que uma etapa acabe para começar outra, é praticamente tudo ao mesmo tempo, e obviamente mais rápido.

Assim tornar uma ação um ´´hábito´´  podem judar o cerébro a lutar contra o tempo, além de ter uma retenção maior dessa informação.

E como tornar os aprendizados formais em ações hábituais?

O primeiro de tudo é REPETIR, REPETIR, REPETIR e quando cansar REPETIR mais um pouco….

Mas só isso não é suficiente!!!!!!

Somente explicar o que deseja na prancheta, ou mexer imãs não vão fazer seus atletas a executarem de forma eficiente o que você acredita. É necessário que eles aprendam também de forma ´´incidental´´, ou seja, que aprendam por eles mesmos.

Exemplo disso, é quando quero ensinar algum princípio de jogo como o engajamento (que o handebol utiliza e é transferido para outros esportes coletivos de invasão).

O engajamento nada mais é que perceber a compactação da defesa em determinado espaço e o ataque ´´acelerar´´ o jogo para o espaço no qual ela não se encontra.

GRITAR nos treinos para mudar a bola de espaço, acelerar o jogo, etc; não vai faze-los a tomar essa decisão no jogo.

Mas treinar jogando com dois gols, um em cada lado no fundo da quadra pode!!!

Dessa forma, a defesa é ´´obrigada´´ a compactar e o ataque a perceber isso espacialmente e engajar para o outro lado…

Você poupa seus gritos …..e seus atletas futuramente vão achar que tudo isso está partindo deles….é um sinal que já está se tornando ´´hábito´´!!!!

Os gritos serão poupados, mas o treinador é um ´´catalisador´´ positivo desse processo, então corrigir, interferir, elogiar e faze-los refletir sobre suas ações é fundamental para o processo.